Detalhes Construtivos

Em continuidade à análise do projeto anterior, apresentamos detalhes técnicos que podem ser aplicados em construções com estilo e materiais similares. A articulação entre diferentes materiais exige soluções específicas para garantir eficiência, segurança e durabilidade, considerando os diferenciais de dilatação e retração de cada componente.

Conexão entre Aço e Madeira: Princípios e Soluções

A junção entre aço e madeira é uma interface comum em projetos contemporâneos, mas demanda atenção aos seguintes aspectos:

  1. Diferencial de Movimentação Térmica e Higroscópica

    • O aço dilata e contrai principalmente por variação térmica (coeficiente de dilatação linear ≈ 12×10⁻⁶/°C).

    • A madeira responde tanto à temperatura quanto à umidade (movimento higroscópico), com variações dimensionais significativas na direção tangencial e radial.

  2. Sistemas de Fixação que Permitam Movimento Relativo

    • Furos alongados ou slotados em perfis metálicos, permitindo que os parafusos se desloquem sem gerar tensões.

    • Arruelas de pressão ou chumbadores com bucha de nylon, que absorvem pequenos deslocamentos.

    • Conectores especializados (como placas de cisalhamento com folga controlada).

  3. Materiais de Interface e Vedação

    • Fitas de borracha EPDM ou neoprene entre as superfícies, funcionando como junta de dilatação e selante.

    • Mantas de separação (feltro ou polietileno) para evitar corrosão galvânica (contato direto entre aço e madeira tratada com sais).

    • Selantes elastoméricos de alta elasticidade (acima de 25%) aplicados após a fixação mecânica.

  4. Detalhes Construtivos Recomendados

    • Perfis metálicos com recorte para encaixe da madeira, permitindo expansão lateral.

    • Sistema de fixação invisível com ferragens de aço inox AISI 304 ou 316, especialmente em áreas externas.

    • Prever folgas mínimas de 3–5 mm em junções críticas, preenchidas com material compressível.

  5. Proteção e Durabilidade

    • Tratamento da madeira com produtos que reduzam a absorção de umidade (impermeabilizantes não filmogênicos).

    • Pintura ou galvanização do aço para evitar oxidação, principalmente em regiões de alta umidade.

    • Ventilação da interface para evitar acúmulo de umidade e condensação.

A vedação eficiente nesta transição não busca a rigidez absoluta, mas sim acomodar os movimentos diferenciais enquanto mantém a estanqueidade à água, vento e infiltrações. O detalhamento correto previne trincas, ruídos (rangidos) e falhas prematuras, assegurando a integridade da construção ao longo do tempo.

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A conexão entre madeira e vidro deve acomodar diferentes movimentos enquanto mantém a estabilidade visual. O detalhamento correto previne trincas no vidro, empenamentos na madeira e infiltrações, assegurando durabilidade e performance estética ao longo do tempo.

A junção entre elementos de vidro – seja em encontros de painéis, cantos ou conexões estruturais – é uma interface crítica que exige soluções técnicas especializadas para garantir estanqueidade, estabilidade e segurança.

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A junção entre madeira e alvenaria é uma das interfaces mais tradicionais na construção civil, mas que exige soluções técnicas atualizadas para evitar patologias como infiltrações, trincas e apodrecimento. No sistema mencionado, a "aranha" (spider fitting) é um conector metálico especializado que permite fachadas totalmente envidraçadas com fixação pontual e discreta. Este sistema exige vedação precisa entre os painéis de vidro, assim como a interface madeira-alvenaria requer soluções específicas para acomodar os diferenciais de comportamento entre os materiais.

CONEXÃO 7.jpg

Em projetos que utilizam estruturas pesadas e de expressão bruta – como concreto aparente, aço corten, madeira maciça com marcas de usinagem – a delicadeza do acabamento nos elementos de conexão não é um mero capricho estético, mas uma exigência técnica e conceitual fundamental.

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