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Ana Silvia Monteiro Ana Silvia Monteiro

Maquete eletrônica

A seleção de uma unidade habitacional não deve se restringir à adequação do módulo construtivo, mas deve considerar igualmente a expressão estética, o estilo arquitetônico e a inserção urbana do empreendimento. Independentemente da escala, o projeto arquitetônico materializa as preferências estéticas, o investimento realizado e a proposta de vida de seus ocupantes.

No contexto contemporâneo da arquitetura, as maquetes eletrônicas constituem um recurso fundamental, especialmente em empreendimentos de grande porte e em situações em que o investimento é realizado antes do início ou da conclusão da obra. Este instrumento permite uma visualização fidedigna e imersiva do projeto, antecipando volumetrias, materiais, relações espaciais e integração com o entorno.

Atualmente, é praticamente inviável desenvolver um projeto arquitetônico sem empregar essa ferramenta, dada sua capacidade de comunicação clara com o cliente, de validação de decisões projetuais e de identificação precoce de inconsistências.

A seguir, apresentamos referências visuais de cinco edifícios brasileiros – quatro localizados em São Paulo e um no Rio de Janeiro – que exemplificam propostas arquitetônicas que transcendem o convencional, demonstrando a aplicação e o potencial expressivo das maquetes eletrônicas no processo criativo.

Softwares para Criação de Maquetes Eletrônicas 3D

1. Modelagem e Renderização (Fluxo Principal)

  • SketchUp – Modelagem intuitiva, ampla biblioteca de componentes, integração com renderizadores.

  • Revit (Autodesk) – BIM (Building Information Modeling), modelagem paramétrica, documentação integrada.

  • Archicad (Graphisoft) – BIM completo, foco em arquitetura, compatibilidade com fluxos colaborativos.

  • Rhino 3D – Modelagem NURBS de alta precisão, ideal para formas orgânicas e complexas.

  • Blender – Open-source, modelagem poligonal avançada, ciclo de renderização integrado.

2. Renderização e Pós-Produção (Realismo Visual)

  • V-Ray – Renderizador físico-realista, compatível com SketchUp, Revit, Rhino, 3ds Max.

  • Corona Renderer – Foco em qualidade fotográfica, interface intuitiva, integração com 3ds Max e Cinema 4D.

  • Enscape – Renderização em tempo real, visualização imersiva (VR), plug-in para Revit, SketchUp, Archicad.

  • Lumion – Renderização rápida com biblioteca de assets, efeitos atmosféricos, animação.

  • Twinmotion – Real-time rendering, compatibilidade com múltiplos formatos, exportação para VR.

3. Pós-Produção e Tratamento de Imagem

  • Adobe Photoshop – Edição de renders, ajustes de cor, inserção de elementos contextuais (pessoas, vegetação, céu).

  • Adobe After Effects – Composição de animações, efeitos visuais, edição de vídeo para walkthroughs.

4. Visualização e Colaboração

  • Twinmotion Cloud – Compartilhamento online de projetos, visualização em navegador.

  • SketchUp Viewer – Visualização e medição em modelos 3D em dispositivos móveis/VR.

  • Autodesk Viewer – Visualização online de múltiplos formatos (DWG, RVT, IFC).

5. Especializados em BIM e Detalhamento

  • AutoCAD – Desenho técnico 2D e 3D, base para muitos fluxos de trabalho.

  • Vectorworks – BIM e modelagem 3D integrados, forte em paisagismo e design de interiores.

  • Allplan – BIM com foco em arquitetura e engenharia, compatibilidade com normas técnicas.

A seleção de uma unidade habitacional não deve se restringir à adequação do módulo construtivo, mas deve considerar igualmente a expressão estética, o estilo arquitetônico e a inserção urbana do empreendimento. Independentemente da escala, o projeto arquitetônico materializa as preferências estéticas, o investimento realizado e a proposta de vida de seus ocupantes.

No contexto contemporâneo da arquitetura, as maquetes eletrônicas constituem um recurso fundamental, especialmente em empreendimentos de grande porte e em situações em que o investimento é realizado antes do início ou da conclusão da obra. Este instrumento permite uma visualização fidedigna e imersiva do projeto, antecipando volumetrias, materiais, relações espaciais e integração com o entorno.

Atualmente, é praticamente inviável desenvolver um projeto arquitetônico sem empregar essa ferramenta, dada sua capacidade de comunicação clara com o cliente, de validação de decisões projetuais e de identificação precoce de inconsistências.

A seguir, apresentamos referências visuais de cinco edifícios brasileiros – quatro localizados em São Paulo e um no Rio de Janeiro – que exemplificam propostas arquitetônicas que transcendem o convencional, demonstrando a aplicação e o potencial expressivo das maquetes eletrônicas no processo criativo.

Softwares para Criação de Maquetes Eletrônicas 3D

1. Modelagem e Renderização (Fluxo Principal)

  • SketchUp – Modelagem intuitiva, ampla biblioteca de componentes, integração com renderizadores.

  • Revit (Autodesk) – BIM (Building Information Modeling), modelagem paramétrica, documentação integrada.

  • Archicad (Graphisoft) – BIM completo, foco em arquitetura, compatibilidade com fluxos colaborativos.

  • Rhino 3D – Modelagem NURBS de alta precisão, ideal para formas orgânicas e complexas.

  • Blender – Open-source, modelagem poligonal avançada, ciclo de renderização integrado.

2. Renderização e Pós-Produção (Realismo Visual)

  • V-Ray – Renderizador físico-realista, compatível com SketchUp, Revit, Rhino, 3ds Max.

  • Corona Renderer – Foco em qualidade fotográfica, interface intuitiva, integração com 3ds Max e Cinema 4D.

  • Enscape – Renderização em tempo real, visualização imersiva (VR), plug-in para Revit, SketchUp, Archicad.

  • Lumion – Renderização rápida com biblioteca de assets, efeitos atmosféricos, animação.

  • Twinmotion – Real-time rendering, compatibilidade com múltiplos formatos, exportação para VR.

3. Pós-Produção e Tratamento de Imagem

  • Adobe Photoshop – Edição de renders, ajustes de cor, inserção de elementos contextuais (pessoas, vegetação, céu).

  • Adobe After Effects – Composição de animações, efeitos visuais, edição de vídeo para walkthroughs.

4. Visualização e Colaboração

  • Twinmotion Cloud – Compartilhamento online de projetos, visualização em navegador.

  • SketchUp Viewer – Visualização e medição em modelos 3D em dispositivos móveis/VR.

  • Autodesk Viewer – Visualização online de múltiplos formatos (DWG, RVT, IFC).

5. Especializados em BIM e Detalhamento

  • AutoCAD – Desenho técnico 2D e 3D, base para muitos fluxos de trabalho.

  • Vectorworks – BIM e modelagem 3D integrados, forte em paisagismo e design de interiores.

  • Allplan – BIM com foco em arquitetura e engenharia, compatibilidade com normas técnicas.

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Armários para sempre

O branco, outrora predominante nos armários de cozinha e área de serviço, foi gradualmente substituído por uma paleta cromática mais diversificada e expressiva. Embora ainda presente em projetos que buscam luminosidade e neutralidade, sua utilização como cor principal reduziu-se significativamente em comparação com a década passada.

Paralelamente, observa-se a eliminação progressiva dos puxadores convencionais, elemento que frequentemente contribui para a datação visual dos ambientes – termo que designa a identificação clara do período em que um projeto foi concebido ou executado.

A tendência atual privilegia sistemas de abertura por pressão do toque (push-to-open) ou cavas de acesso (finger pull), soluções que conferem aos armários uma aparência contínua, limpa e essencialmente atemporal. Essa abordagem minimalista não apenas simplifica as linhas visuais, mas também potencializa a sensação de amplitude e organização nos espaços.

No âmbito cromático, a ousadia na seleção de cores consolida-se como uma estratégia projetual válida e enriquecedora. Tons terrosos, azuis profundos, verdes sóbrios e até mesmo nuances intensas, quando aplicados com critério e equilíbrio, personalizam o ambiente, criam pontos focais e elevam a experiência espacial, sem comprometer a funcionalidade ou a contemporaneidade do conjunto.

Materiais de Acabamento para Armários Planejados

1. Laminados Industriais (MDP/MDF com Laminação)

  • Laminado Plástico (Melamina) – Acabamento superficial aplicado sob alta pressão, disponível em ampla variedade de cores, texturas e padrões (lisos, madeirados, foscos, brilhantes).

  • Laminado de Alta Pressão (HPL) – Maior resistência a impactos, abrasão e calor. Opções com texturas realistas (madeira, pedra).

  • Folhas de PVC – Aplicação a vácuo sobre MDF, permite curvas e cantos arredondados sem emendas visíveis.

2. Madeira Maciça e Compensados

  • Madeira Maciça (Freijó, Ipê, Cedro, Mogno) – Acabamento nobre, permite trabalhos de marcenaria detalhada. Requer tratamento contra umidade e variações térmicas.

  • Compensado Laminado – Camadas de madeira coladas com direções alternadas, revestido com folhas de madeira natural (nobre ou democrática).

  • MDF (Medium Density Fiberboard) – Base comum para receber pintura, laca ou laminação. Superfície lisa e uniforme.

3. Acabamentos Pintados

  • Esmalte Sintético – Alta resistência, brilho controlável (fosco, acetinado, brilhante). Aplicação com pistola em cabine.

  • Tinta à Base de Água (Acrílica) – Menor odor, secagem rápida, variedade de cores. Menor resistência ao atrito que o esmalte.

  • Laca Poliuretana – Acabamento espelhado e ultra-liso. Alta resistência química e mecânica. Aplicação profissional em múltiplas demãos com lixamento entre camadas.

4. Acabamentos com Folhas e Películas

  • Folha de Madeira Natural – Lâminas finas de madeira real coladas sobre MDF ou compensado. Preserva veios e texturas naturais.

  • Película de Poliéster – Filme fino com acabamento uniforme, boa resistência a riscos e umidade. Opções metálicas e coloridas.

  • Acrílico – Chapas compactas com acabamento brilhante ou fosco. Efeito visual profundo, utilizado principalmente em frontais.

5. Acabamentos Especiais e de Luxo

  • Verniz UV – Cura por luz ultravioleta, superfície extremamente resistente a riscos, calor e produtos químicos. Acabamento brilhante ou fosco.

  • Folhas de Alumínio ou Aço Inox – Aplicação sobre substrato, conferindo aspecto industrial ou high-tech.

  • Resina Epóxi – Acabamento espesso e brilhante, permite inclusão de pigmentos, pó metálico ou elementos decorativos.

  • Couro Ecológico ou Tecido – Aplicado sobre painéis, confere textura e conforto tátil.

6. Puxadores e Ferragens (como elemento de acabamento)

  • Metais (Aço Inox, Alumínio, Latão, Bronze) – Acabamentos polido, escovado, fosco ou envelhecido.

  • Acrílico ou Cristal – Transparência ou cores sólidas.

  • Sistema Integrado (Sem Puxador) – Chanfros, perfis em "U" ou "J", sistema push-to-open.

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História de um projeto 2

Este projeto apresenta uma residência unifamiliar concebida para uma família composta por casal e dois filhos, servindo como referência inspiracional para o casal mencionado no post anterior. A concepção arquitetônica priorizou a integração visual entre ambientes internos e externos, aliada a uma distribuição espacial eficiente em um terreno de dimensões generosas.

Os requisitos principais do programa funcional incluíam: 1º visão direta da sala de estar para a área de lazer externa, promovendo uma conexão fluida entre convivência e recreação; e 2º uma suíte primária espaçosa, com dimensões adequadas para conforto e privacidade.

O terreno amplo permitiu a implementação de áreas externas generosas, com corredores laterais largos que facilitam a circulação e a manutenção, além de compor harmoniosamente com o volume arquitetônico principal.

A distribuição interna adotou uma abordagem conservadora e funcional, com cozinha isolada e entrada independente de serviços, assegurando separação clara entre áreas sociais e de apoio, minimizando interferências e otimizando o fluxo diário.

A seguir, apresentamos a planta baixa do projeto, ilustrando a organização espacial e as relações entre ambientes:

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A implantação em terreno frontalizado por avenida demandou a especificação de gradeamento perimetral com portão de altura elevada, garantindo privacidade e segurança sem comprometer a expressão arquitetônica.

O acesso principal é precedido por garagem de grandes dimensões e entrada independente para serviços, estabelecendo uma hierarquia clara de circulações antes do hall de entrada. No interior, o hall distribuidor organiza os fluxos: à esquerda, um escritório privativo; e integrado a ele, um amplo jardim de inverno que funciona como pulmão vegetal e elemento de qualificação ambiental, garantindo ventilação cruzada e iluminação zenital difusa. Este recurso, quando devidamente mantido, eleva significativamente o conforto térmico e a qualidade atmosférica dos ambientes adjacentes.

Em sequência, um grande ambiente integrado é configurado por portas de vidro de perfil fino e grandes dimensões, que dissolvem os limites entre interior e exterior. Este espaço unifica sala de estar e sala de TV, refletindo uma tendência contemporânea que prioriza a integração familiar e a otimização de áreas, em detrimento de compartimentações tradicionais.

A área de lazer externa é espacialmente generosa e mantém relação visual direta com a sala de estar, criando uma continuidade perceptiva que amplia o senso de espaço. Os jardins externos são projetados para serem apreciados de múltiplos pontos do interior, atuando como quadros vivos que se renovam conforme a estação.

Na área íntima do térreo, duas suítes secundárias atendem aos filhos, reforçando a valorização de imóveis com suítes no pavimento principal – um diferencial mercadológico relevante.

A suíte primária foi concebida como um espaço amplo e multifuncional, realizando uma aspiração antiga dos moradores. Seu programa inclui um nicho de leitura personalizado, atendendo a uma paixão específica da cliente e demonstrando como o projeto pode incorporar hábitos individuais.

O conjunto é finalizado com revestimentos de alta especificação, estudo de iluminação que equilibra funcionalidade e atmosfera, jardins com manutenção projetada e uma decoração criteriosa. O resultado é uma residência que sintetiza desejo, funcionalidade e identidade, constituindo um patrimônio que orgulha seus proprietários e materializa valores de conforto, beleza e pertencimento.

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História de um projeto 1

Cada cliente que busca um arquiteto traz consigo uma narrativa pessoal – uma ideia inicial, um sonho a ser materializado e, frequentemente, uma pesquisa prévia que reflete suas aspirações e referências.

Essas demandas se apresentam em um espectro de definição: desde conceitos ainda vagos e em formação, até programas tão detalhados e específicos que, em certos casos, meu papel se assemelha mais ao de um regente, orquestrando elementos preexistentes com sensibilidade técnica. Independentemente do ponto de partida, cada trajetória possui uma riqueza singular, e o processo colaborativo culmina em um sentimento compartilhado de realização – tanto para o cliente quanto para o profissional. Esta simbiose criativa é, em essência, como o processo de um projeto deve funcionar.

A condução bem-sucedida requer um certo distanciamento profissional, permitindo que as expectativas emocionais sejam gerenciadas com eficiência, ponderação e objetividade. Este equilíbrio é fundamental para que o resultado final supere as expectativas iniciais, transcendendo o imaginado.

Neste e no próximo post, compartilho as histórias por trás dos projetos – alguns já documentados fotograficamente no portfólio – que representaram experiências particularmente enriquecedoras em sua execução.

O Jovem Casal e a Casa para Convivência

A primeira narrativa envolve um jovem casal que me procurou por identificação estilística com minha linha de projetos. Com um terreno inserido em condomínio fechado, seus desejos eram claros: uma casa luminosa, ventilada, com presença marcante de madeira e, como ponto central do programa, um espaço otimizado para receber amigos e familiares.

A área de lazer foi tratada como elemento primordial, exigindo uma conexão especial com toda a residência – visibilidade imediata a partir dos principais ambientes e acesso fluido e intuitivo, promovendo uma integração contínua entre convívio interno e externo.

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A distribuição dos ambientes neste projeto equilibra aspectos tradicionais com adaptações específicas, refletindo a prioridade absoluta concedida pelos clientes ao convívio familiar e social na área comum.

Organização Espacial e Conexões

Ao adentrar pela porta principal, o primeiro ambiente à esquerda é um escritório com entrada independente pela lateral da casa, garantindo privacidade para atividades profissionais sem interferir no fluxo doméstico. Imediatamente após o hall, um jardim de inverno cumpre múltiplas funções: promove ventilação cruzada, iluminação zenital difusa e oferece um refúgio sensorial com uma rede integrada à vegetação. Deste ponto, a visão é praticamente panorâmica para os ambientes internos, estabelecendo uma conexão visual contínua.

A sequência social – sala, cozinha, varanda, balcão com cozinha externa completa e piscina – é intencionalmente exposta e integrada, criando um circuito fluido para recepção e entretenimento. Em contraste, a área íntima mantém-se isolada e tradicional, preservando a privacidade dos moradores.

Solução Inovadora: Área de Serviço Integrada

Um detalhe projetual que pode surpreender é a localização da área de serviço, com acesso direto pela sala. À primeira vista, poderia parecer uma decisão incomum, mas trata-se de uma solução estudada e plenamente endossada pelos clientes.

A porta de vidro opaco com puxador longo foi especificada para mimetizar um acesso a outro ambiente social, evitando a estigmatização típica de portas de serviço. Seu interior é totalmente planejado e organizado: quando aberta, a visão é imediatamente interceptada por um armário de parede completa, que atua como barreira visual. A vantagem operacional é decisiva: todo o tráfego relacionado a serviços domésticos (lavanderia, arrumação) fica isolado, sem cruzar com a área social ou mesmo a cozinha, preservando a fluidez e a atmosfera dos espaços de convívio.

Sucesso do projeto: Experiência do Uso

O verdadeiro êxito de um projeto arquitetônico reside em atender simultaneamente às dimensões estética, prática, estrutural e emocional dos sonhos de quem irá habitá-lo.

Após quase dois anos de ocupação e convivência diária dos proprietários com a casa, posso afirmar que o sucesso foi plenamente alcançado. A residência não apenas materializou aspirações, mas também evoluiu organicamente com o estilo de vida de seus moradores, validando as escolhas projetuais em sua experiência concreta.

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Detalhes Construtivos

Em continuidade à análise do projeto anterior, apresentamos detalhes técnicos que podem ser aplicados em construções com estilo e materiais similares. A articulação entre diferentes materiais exige soluções específicas para garantir eficiência, segurança e durabilidade, considerando os diferenciais de dilatação e retração de cada componente.

Conexão entre Aço e Madeira: Princípios e Soluções

A junção entre aço e madeira é uma interface comum em projetos contemporâneos, mas demanda atenção aos seguintes aspectos:

  1. Diferencial de Movimentação Térmica e Higroscópica

    • O aço dilata e contrai principalmente por variação térmica (coeficiente de dilatação linear ≈ 12×10⁻⁶/°C).

    • A madeira responde tanto à temperatura quanto à umidade (movimento higroscópico), com variações dimensionais significativas na direção tangencial e radial.

  2. Sistemas de Fixação que Permitam Movimento Relativo

    • Furos alongados ou slotados em perfis metálicos, permitindo que os parafusos se desloquem sem gerar tensões.

    • Arruelas de pressão ou chumbadores com bucha de nylon, que absorvem pequenos deslocamentos.

    • Conectores especializados (como placas de cisalhamento com folga controlada).

  3. Materiais de Interface e Vedação

    • Fitas de borracha EPDM ou neoprene entre as superfícies, funcionando como junta de dilatação e selante.

    • Mantas de separação (feltro ou polietileno) para evitar corrosão galvânica (contato direto entre aço e madeira tratada com sais).

    • Selantes elastoméricos de alta elasticidade (acima de 25%) aplicados após a fixação mecânica.

  4. Detalhes Construtivos Recomendados

    • Perfis metálicos com recorte para encaixe da madeira, permitindo expansão lateral.

    • Sistema de fixação invisível com ferragens de aço inox AISI 304 ou 316, especialmente em áreas externas.

    • Prever folgas mínimas de 3–5 mm em junções críticas, preenchidas com material compressível.

  5. Proteção e Durabilidade

    • Tratamento da madeira com produtos que reduzam a absorção de umidade (impermeabilizantes não filmogênicos).

    • Pintura ou galvanização do aço para evitar oxidação, principalmente em regiões de alta umidade.

    • Ventilação da interface para evitar acúmulo de umidade e condensação.

A vedação eficiente nesta transição não busca a rigidez absoluta, mas sim acomodar os movimentos diferenciais enquanto mantém a estanqueidade à água, vento e infiltrações. O detalhamento correto previne trincas, ruídos (rangidos) e falhas prematuras, assegurando a integridade da construção ao longo do tempo.

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A conexão entre madeira e vidro deve acomodar diferentes movimentos enquanto mantém a estabilidade visual. O detalhamento correto previne trincas no vidro, empenamentos na madeira e infiltrações, assegurando durabilidade e performance estética ao longo do tempo.

A junção entre elementos de vidro – seja em encontros de painéis, cantos ou conexões estruturais – é uma interface crítica que exige soluções técnicas especializadas para garantir estanqueidade, estabilidade e segurança.

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A junção entre madeira e alvenaria é uma das interfaces mais tradicionais na construção civil, mas que exige soluções técnicas atualizadas para evitar patologias como infiltrações, trincas e apodrecimento. No sistema mencionado, a "aranha" (spider fitting) é um conector metálico especializado que permite fachadas totalmente envidraçadas com fixação pontual e discreta. Este sistema exige vedação precisa entre os painéis de vidro, assim como a interface madeira-alvenaria requer soluções específicas para acomodar os diferenciais de comportamento entre os materiais.

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Em projetos que utilizam estruturas pesadas e de expressão bruta – como concreto aparente, aço corten, madeira maciça com marcas de usinagem – a delicadeza do acabamento nos elementos de conexão não é um mero capricho estético, mas uma exigência técnica e conceitual fundamental.

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Ana Silvia Monteiro Ana Silvia Monteiro

A Alquimia dos Materiais Aparentes

É fascinante compreender a gênese das coisas – suas origens, evolução e aprimoramento contínuo. Em arquitetura, este processo se revela na busca por soluções que superam as fragilidades das ideias iniciais, transformando conceitos abstratos em realidade construída que emociona e abriga.

Existe uma composição construtiva que parece reunir componentes perfeitos: aquela que emprega tijolo, madeira, ferro, vidro e pedra de forma aparente e harmoniosa, onde cada material expressa sua essência e verdade estrutural. Esta não é uma simples justaposição, mas uma orquestração cuidadosa onde:

  • O tijolo revela sua modularidade e textura terrosa.

  • A madeira expõe suas veias, nós e calor orgânico.

  • O ferro (ou aço) mostra sua precisão industrial e força.

  • O vidro oferece sua transparência e leveza.

  • A pedra apresenta sua solidez e permanência geológica.

A harmonia não está na uniformidade, mas nas proporções equilibradas e no diálogo honesto entre materiais com características distintas, mas complementares.

Para ilustrar esta filosofia, selecionamos projetos de outros profissionais que exemplificam com maestria esta composição material feliz:

Escritório Duda Porto, Brasil

Escritório Duda Porto, Brasil

Escritório Stocker Hoesterey Montenegro, USA

Escritório Stocker Hoesterey Montenegro, USA

Escritório John Maniscalco, USA

Escritório John Maniscalco, USA

Escritório DeForest USA

Escritório DeForest USA

Escritório DIALOG, Canadá

Escritório DIALOG, Canadá

Escritório Vandeventer e Carlander, USA

Escritório Vandeventer e Carlander, USA

A convergência de elementos como tijolo, madeira, ferro, vidro e pedra em uma única obra é, acima de tudo, um exercício de engenharia de precisão. Cada um desses materiais possui coeficientes de dilatação térmica e comportamentos higroscópicos distintos; uni-los de forma estanque e segura, permitindo que cada um "trabalhe" sem comprometer a estrutura ou a vedação, é uma verdadeira arte técnica.

O Desafio da Execução Especializada

É um equívoco presumir que a execução de projetos com essa linguagem possa ser delegada à mão de obra habituada exclusivamente à alvenaria convencional. Embora os insumos básicos pareçam os mesmos de edificações tradicionais, o detalhamento técnico, o rigor das proporções e a metodologia de aplicação são radicalmente diferentes.

Projetos que expõem a estrutura e os materiais exigem um estudo aprofundado de compatibilização e uma pesquisa de campo rigorosa. O que em uma obra comum é ocultado pelo reboco, aqui torna-se o protagonista, exigindo maestria no acabamento e precisão milimétrica nas junções.

Em última análise, a materialização de um projeto que une estética bruta e sofisticação técnica exige bom senso e a contratação de profissionais experientes. A execução com maestria é o que separa um projeto visualmente interessante de uma residência tecnicamente impecável e duradoura.

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Ana Silvia Monteiro Ana Silvia Monteiro

Novo Ciclo, Novos Olhares

O início de um novo ciclo, frequentemente marcado pelo clima introspectivo das chuvas de janeiro e pelo ritmo mais cadenciado das férias, oferece a oportunidade ideal para a pesquisa e o aprofundamento intelectual. É o momento de expandir o repertório para que o "novo" não seja apenas uma marcação no calendário, mas uma transformação na forma de perceber, compreender e projetar o espaço. O conhecimento deve, fundamentalmente, ampliar o nosso olhar.

A Assinatura Autoral e a Maturidade Projetual

É comum observar que muitos arquitetos mantêm uma identidade projetual recorrente em seus portfólios. De fato, uma mente criativa deixa rastros e pistas de sua fonte em cada traço. Frequentemente, o cliente busca o profissional justamente por essa identificação estética, desejando materializar um estilo que já admirou em trabalhos anteriores.

Essa consistência não deve ser vista como estagnação. O importante é que o tempo agregue novas informações e vivências. O estilo não precisa sofrer rupturas drásticas; ele deve, sim, amadurecer. A maturidade projetual é o refinamento do olhar através da experiência, resultando em soluções cada vez mais precisas e conscientes.

A Gestação da Simplicidade e o Combate ao Desperdício

Uma das grandes reflexões da contemporaneidade reside na análise do desperdício sistêmico em diversas esferas da vida humana. Estamos em um momento crucial de revisão de conceitos e paradigmas. Embora pareça um tema recorrente, a urgência em repensar o consumo e a eficiência nunca foi tão latente.

Observamos o surgimento de uma onda de simplicidade e bom senso. Ainda que em estágio embrionário, essa tendência está em plena gestação e promete emergir com vigor. Como um processo biológico que demanda seu próprio tempo, essa nova mentalidade — focada no essencial e no funcional — está sendo moldada pela hiperconectividade. Bilhões de olhares atentos e ativos na rede estão transformando o mundo, expondo contradições e valorizando a transparência.

Um Horizonte de Novidades

Neste cenário de visibilidade constante, nada permanece igual ao que foi. Estamos todos mais atentos, informados e exigentes. A arquitetura, como reflexo da sociedade, caminha para um futuro onde a estética da simplicidade e a ética da sustentabilidade serão protagonistas.

Vem novidade por aí, e estamos prontos para interpretá-las com esse olhar ampliado.

Desejo um ano maravilhoso e de muitas realizações para todos!

 

 

 

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Piscina e Vegetação

er uma piscina é um sonho para uma imensidão de pessoas, especialmente no calor intenso do verão brasileiro. Enquanto quem não tem improvisa com mangueiras e piscinas infláveis, quem dispõe de espaço e recursos investe na realização deste desejo.

No processo de elaboração de um espaço de lazer com piscina, é comum receber o pedido de afastar a vegetação para que a área fique "mais limpa". É importante esclarecer: vegetação não suja. O que pode ocorrer é a queda natural de folhas, um processo biológico que faz parte do ciclo de vida das plantas.

O Pedido Comum: O "Perigo" das Folhas

A solicitação de afastar canteiros da água ou, em casos mais extremos, remover toda a vegetação para eliminar qualquer risco de folhas caírem na piscina é uma demanda que ocorre com frequência. A preocupação é compreensível – ninguém quer passar o tempo de lazer limpando o espelho d'água constantemente.

A Importância do Verde no Contexto Aquático

Mas imaginem o verde da vegetação fora desse contexto. Visualizem uma piscina cercada apenas por piso frio, concreto ou decks de madeira, sem uma única folha, sem o movimento orgânico das plantas, sem os jogos de luz e sombra que a folhagem proporciona. O resultado seria um ambiente estéril, monótono e termicamente hostil.

A Função da Vegetação no Entorno da Piscina

A vegetação desempenha funções essenciais que vão muito além da estética:

  1. Regulação Térmica Natural

    • As plantas absorvem calor através da evapotranspiração, criando microclimas mais amenos ao redor da piscina.

    • Sombreamento estratégico pode reduzir a temperatura da água em até 5°C.

  2. Barreira Visual e Acústica

    • A vegetação cria privacidade natural, muito mais aconchegante que muros altos.

    • Atenua ruídos urbanos, criando uma bolha de tranquilidade.

  3. Integração com a Paisagem

    • A piscina deixa de ser um elemento isolado e passa a fazer parte do jardim como um todo.

    • Cria cenários fotográficos e experiências sensoriais mais ricas.

  4. Sustentabilidade e Biodiversidade

    • Atrai polinizadores (abelhas, borboletas, beija-flores).

    • Contribui para a retenção de água da chuva e melhoria da qualidade do ar.

Soluções Práticas para Conciliar Piscina e Vegetação

Em vez de eliminar a vegetação, é possível adotar soluções inteligentes:

  • Seleção de Espécies Adequadas

    • Preferir árvores e arbustos de folhagem perene ou queda controlada.

    • Evitar espécies com folhas muito pequenas ou flores que mancham.

  • Posicionamento Estratégico

    • Plantar a favor dos ventos predominantes, direcionando a queda de folhas para longe da água.

    • Criar canteiros elevados ou jardins de inverno com drenagem adequada.

  • Sistemas de Proteção

    • Instalar telas de proteção removíveis durante períodos de maior queda foliar.

    • Utilizar skimmers eficientes e robôs limpadores automáticos.

  • Manutenção Programada

    • Estabelecer uma rotina de poda antes das estações de maior renovação foliar.

    • Criar áreas de compostagem para reaproveitar as folhas como adubo orgânico.

Em outro extremo do espectro, há quem busque uma conexão ainda mais profunda com a natureza. Essas pessoas transcendem o desejo por vegetação ao redor; elas almejam a sensação autêntica de mergulhar em um lago natural, sem qualquer contato com produtos químicos convencionais. Para elas, a escolha é a piscina natural ou biopiscina.

O que é uma Piscina Natural?

Uma piscina natural é um sistema autorregulado que utiliza processos biológicos para manter a água limpa e cristalina, dispensando completamente o uso de cloro, sal ou outros produtos químicos.

O Verdadeiro Luxo: Natureza Integrada

O verdadeiro luxo em um espaço de lazer com piscina não está na ausência absoluta de folhas, mas na harmoniosa integração entre água e vegetação. É a sensação de estar em um oásis natural, onde o som das folhas ao vento complementa o barulho da água, criando uma experiência multisensorial que nenhum ambiente estéril pode oferecer.

A vegetação não é um problema a ser eliminado, mas um elemento de valor a ser incorporado com inteligência. Quando bem projetada e mantida, ela transforma uma simples piscina em um refúgio completo, onde o sonho de ter uma piscina se une ao prazer de estar em contato com a natureza.

 

 

 

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